Descubra como é a vida de escritor

Lorene na vida de escritora

A vida de escritor é difícil?


Você quer saber por que começar a vida de escritor foi uma das coisas mais difíceis que fiz em minha vida?

Eu vou te contar porque isso foi tão doloroso, mas também vou te deixar claro uma coisa: eu faria tudo de novo… 

Olá, querido Diário, lembro-me que, da última vez que escrevi em você, citei que havia alguns meses, talvez anos, que eu já não fazia isso. 

Agora, neste momento, fica claro que faz quase uma década. Se não me engano, a última vez foi em 2013 e meu avô, pai de minha mãe, ainda estava vivo. 

Na ocasião, eu recém havia conhecido uma garota chamada Perri e estava me preparando para morar com ela.

Afinal, ambas adorávamos a ideia de viver uma vida de escritor, cheia de viagens e histórias divertidas para contar. 

Nessa fase, eu morava na casa da vovó, que ainda andava sem a necessidade de uma cadeira de rodas ou uma bengala, praticamente, obrigatória.

Isso significava que haviam algumas facilidades em relação às contas financeiras e conforto.

Mas também uma necessidade massacrante de ganhar independência, liberdade e autonomia para viver o que eu julgava que fosse a vida dos meus sonhos. 

Acontece que a vida dos meus sonhos sempre foi ter a vida de um escritor best-seller, sabe?

A vida de escritora que idealizei sempre foi sentar em uma luxuosa cadeira de escritório, de frente para o macbook air e escrever algo que fosse capaz de mudar o mundo.

Detalhe, o sonho não envolvia apenas escrever em um belíssimo computador, mas, sobretudo, estar rodeada dos meus livros, publicados por minha própria editora.

Isso porque, não bastasse o sonho de ser escritora, havia em conjunto o sonho de ser uma escritora com sua própria editora. 


A vida de escritor para quem sai da casa dos pais


Foi assim que, do mesmo jeito que em 2008, eu saí da casa dos meus pais para morar em Florianópolis, em 2013, eu sai da casa de minha avó para morar com a Perri, em um bairro chamado Alto Paraíso. 

Embora o nome do bairro tenha o título de Alto Paraíso, o que vivi ali foi quase um inferno.

Primeiramente, ao sair da casa de minha avô, eu não tinha muito recurso financeiro para começar com tudo minha carreira de escritora.

Então, ao invés de alugar uma casa em Goiânia, achei um lugar bem mais em conta em um cidade chamada Aparecida de Goiânia.

O problema foi que eu e a Perri selecionamos uma cidade financeiramente mais acessível, mas também um dos bairros mais precários dela.

Resumindo, meu aluguel custava apenas R$ 600,00, e tudo ali era muito mais barato:

Compras de mercado, farmácia, gasolina, ou seja, se tudo era barato, eu achava que a vida de escritor em pouco tempo iria se deslanchar, entende?

Eu ganharia dinheiro muito rápido, venceria um concurso muito rápido e, gastando pouco, conseguiria economizar e logo estaria andando de limousine, helicóptero, lancha e tendo uma multidão de fãs.

Tudo isso, claro, somente por causa de algo que escrevia e e eles estariam adorando ler.


PS: Acompanhando meu diário, você vai descobrir que quase 5 anos depois de tudo isso, coisas boas iriam acontecer comigo, como você vê nas fotinhas acima hehehe.

Mas houve uma longa caminhada, uma ENORME JORNADA até aqui e é sobre ela que quero contar.


Lorene Patigra andando de limousine
Coisas boas também vão acontecer… até lá, segure firme o seu sonho!!!


Expectativa x Realidade de um escritor


Entretanto, o que aconteceu no ano de 2014 foi bem diferente disso porque o bairro era muito precário, consequentemente, muito perigoso.

Além disso, também havia baratas, infestação de ratos, pulgas, carrapatos, assaltos… pense em um lugar que ficava há quase 2hr do centro de Goiânia e tudo ali soava “pobreza, miséria”.

Nessa época, eu tinha 02 cachorrinhas, a KiKi e a Docinho, e por causa da infestação de carrapatos, a Docinho acabou pegando uma doença que quase a matou.

Imagine olhar para uma da coisas que você mais ama na vida e ver que você não tem grana para sequer dar uma vacina ou comprar remédio?

Foi um dos piores sentimento que já senti: o de impotência, culpa, incapacidade, FRACASSO!

A Docino era a minha vira-latinha, que eu tinha tirado das ruas quando ela era apenas um filhotinho.

Ela era minha parceira, minha melhor amiga, aquela passa fome que mal podia ouvir o barulho da coleira e saia correndo por toda a casa.

Ah, a Docinho era um presente que a vida havia me dado quando eu estava absolutamente sozinha em Florianópolis, lá no ano de 2010.

Os cães de Lorene Patigra
Minhas duas princesas: Kiki e Docinho


Mas isso é outra história da vida de escritor, que ainda quero contar para você!

Aqui, o mais importante é dizer que a Docinho era tudo o que eu tinha de mais valioso.

Além dos meus livros e capacidade de escrever, nada era tão importante em minha vida quanto a Kiki e a Docinho.

E lá estava a Docinho, minha princesinha de quatro patas, morrendo, dia após dia, porque eu não tinha dinheiro suficiente.

Não tinha dinheiro para as vacinas e nem para tratar a infestação da casa, que depois soubemos que era comum no bairro.


A família durante a vida de escritor


Engraçado, mas nesse período eu achava que a minha família era a CULPADA de tudo.

Sei lá, não enxergava que podia contar com eles. Não entendi o que eles estavam fazendo da vida e não achava que eles me entendiam também.

Porém, agora, com o passar de todos os anos, fica claro: se não fosse por minha família, eu jamais teria chegado até este diário, outra vez.

Sinceramente, eu jamais teria chegado a tornar a vida de escritor, uma vida em que meus principais sonhos começaram a se tornar reais.

Quer um exemplo?

Foi graças ao meu irmão, que é um excelente veterinário, que a Docinho não morreu nessa fase. Ele cuidou dela para mim, tratou ela com tudo o que precisava.

Ele foi um anjo em meio ao caos e nem sei se ele sabe disso. Espero que um dia, assim como você, ele também leia isso aqui… (obrigada, meu irmão)


A crise de 2014 para quem desejava a vida de escritor


Bom, a Docinho não morreu no ano de 2014 e, por mais que eu tenha tido que mudar de casa em menos de 6 meses para não morrer em um assalto…

Neste ano de 2014, o verdadeiro inferno parecia que havia se instalado em minha rotina.

Inclusive, 2014 foi um ano de crise para milhares de pessoas e preciso admitir que a SONHADORA AQUI estive entre elas.

Então, se você, nesse período, chegou a entrar em uma decadência tão grande, “bate aqui”, meu colega, eu sei o que foi escolher entre pagar uma conta ou comprar um pão.

Em abril de 2014, eu tinha me mudado para Alto Paraíso e, em julho, estava saindo de lá e indo morar em um bairro chamado Faiçalville.

Sim, voltei para Goiânia e acho que foi a 1˚ vez na vida que reconheci que minha cidade natal era maravilhosa perto de tantas outras.


As 02 piores coisas na vida de um escritor


1. Nenhuma editora queria apostar em meus livros, a não ser que eu pagasse, e pagasse caro para isso.

Na verdade, eu descobri, e parece óbvio, mas entendi que mais de 70% das editoras vivem do que publicam, na hora em que publicam, e não das vendas do que publicam.

Entende a diferença??? Elas ganham para publicar e o que vendem, quando vendem, o resto é história e mais lucro.

Por isso, você não pode esperar que uma editora aposte em sua história sem cobrar nada (mesmo que ela seja um best-seller).

A editora vai precisar de recursos para se manter e, como eu não entendia isso e apenas queria que uma editora publicasse meu livro e me fizesse estourar…

Eu sofria muito achando que minha escrita deveria ser um lixo ou, sei lá, eu estava destinada ao fracasso porque não ATRAIA quem me ajudasse a deslanchar minha carreira.

2. Quantas pessoas você conhece que julgaria que vale a pena seguir uma carreira de escrita, histórias e publicação de livros?

Principalmente, em um país como o Brasil, quem você conhece que te apoiaria?

Lorene Patigra autografando na Bienal de Minas Gerais
Quem você acredita que te apoiaria a largar tudo para começar a escrever?


Isso significa que uma das piores coisas que pode acontecer com pessoas que querem seguir por esse caminho é a DESCRENÇA.

A descrença dos que olham para a sua vida é tão terrível quanto a própria descrença que você começa a nutrir pela sua paixão.


Valia a pena seguir com a carreira de escritor?


Escrever que era algo mágico, ser escritor que parecia algo tão especial, de repente, se torna um monstro em seu próprio coração.

Ou seja, a descrença, os desafios de carreira, a decadência financeira e a incerteza de como levar minhas palavras pelo mundo…

Tudo isso me acometia em uma época em que o planeta Terra também parecia estar ficando de cabeça para baixo.

Uau, com tantas obstáculos e coisas que aconteceram desde que sai do Alto Paraíso e fui parar no Faiçalville, será que valia a pena seguir como escritora.

Inclusive, passaram-se cerca de 6 anos desde o dia em que fiz essa mudança e senti minha vida completamente de cabeça para baixo.

Eu poderia enumerar: uma perda total de carro, uma crise financeira absurda, uma mudança de estado para Floripa, para São Paulo e outra para Santos.

É… não foi nada fácil sair do fundo do poço e dar a volta por cima.

Mas, quer saber qual é o legal de olhar para o passado daqui de onde estou?

É ver que eu jamais estaria sentada na cadeira dos meus sonhos, olhando para esses certificados e rodeada por todos esses livros se eu não houvesse passado por tudo isso.

Será que eu repetiria tudo até aqui?


O que você acha?

Olha só, eu tenho tantas coisas para te contar que, agora, é hora do lanche e preciso fazer uma pausa.

Veja a reviravolta da minha carreira quando retornei para Florianópolis, no ano de 2020, e tive a oportunidade de me hospedar em lugares incríveis, como o Pattys Garden Bistrô.

Um abraço literário… eu prometo que volto e, como sempre, com muitas confissões…

22 de abril de 2021. 18h28.



Lorene Patigra Especialista em Best-Sellers
Te ajudo a escrever 01 história incrível e a deixar seu legado para o mundo – Escritora Lorene Patigra.


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